O prêmio Nobel e presidente do IPCC - o painel do clima da ONU – Rajendra Pachauri, conversou há pouco comigo e mais quatro jornalistas. Nos exatos oito minutos que nos concedeu antes de entrar numa sala para divulgar dados novos do IPCC sobre o clima, o cientista disse que o escândalo do Climategate não o preocupa e que os países pobres devem ter o direito de usar o carvão mineral que possuem.
A credibilidade dos cientistas ligados ao IPCC foi questionada nos últimos dias devido ao Climategate. Isso ainda é uma questão que o preocupa?
Não vejo como uma questão importante. A questão é, sim, descobrir quem roubou esses e-mails e os colocou na rede porque toda essa ação, obviamente, é parte de um plano. O timing de toda essa história indica que ele tinha como objetivo atrapalhar as negociações que estão acontecendo aqui. Os processos de trabalho do IPCC são claros e fortes e suficiente para que não haja qualquer manipulação de dados.
O climatologista James Hansen comparou o aquecimento global como a escravidão ou o nazismo. É um problema que precisa ser cortado pela raiz, ou seja, ele acha que cortar as emissões em em 40% é inútil, não resolve o problema. O que o senhor acha disso?
É o ponto de vista dele. Basicamente o que ele está pedindo é uma ação rápida e nós certamente precisamos disso. Não podemos ter reduções de 10%, 20%, mas reduções bem mais altas. Se formos impedir que a temperatura suba mais do que 2° as emissões precisam atingir seu pico em 2015 e depois dessa data precisam começar a cair. Com os compromissos atingidos até agora não vamos atingir isso.
Se tivesse poder político para acrescentar algo ao acordo final que está sendo negociado aqui, o que acrescentaria?
Sem dúvida gostaria que tivéssemos metas ambiciosas para 2020. As metas que foram discutidas em Bali, de 25% a 40% para 2020. Também precisamos definir recursos dos países ricos para os países em desenvolvimento. Eles precisam se adaptar e não tem dinheiro. E não é justo que gastem dinheiro com isso.
Em relação às negociações para o fundo, que certeza teremos sobre como esses recursos serão destinados e se serão destinados para aqueles que realmente precisam deles?
Essa é uma questão importante. Não basta ter o dinheiro, mas temos de definir como ele será usado. Espero que haja discussão sobre isso também. O dinheiro precisa ir para instituições que tenham um histórico limpo. Precisamos especificar que instituições serão essas.
Muitos países em desenvolvimento são movidos a carvão mineral. O que fazer?
Eles não poderão se livrar do carvão de um dia para o outro. Esses países precisam usar os recursos que possuem e os países ricos têm de aceitar isso. A questão é que eles precisam ajudá-los a usaciente, com o uso de tecnologias modernas.
Fonte: Portal Exame
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