quarta-feira, 19 de maio de 2010

Crescer a um ritmo de 10% é insustentável, dizem analistas

Inflação alta e excesso de importações são alguns entraves que o Brasil enfrentaria num cenário tão forte

Luís Artur Nogueira, de EXAME.com

São Paulo - A economia brasileira tem gargalos que impedem um crescimento anual na casa de 10%. Embora o Brasil possa ter alcançado esse patamar no primeiro trimestre, a tendência é de redução no ritmo ao longo do ano, segundo analistas ouvidos pelo site EXAME.com.

Um indicador do Banco Central (BC) aponta que o PIB cresceu 9,85% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Na margem, ou seja, comparando com o quarto trimestre de 2009, a alta foi de 2,38% (anualizada, daria quase 10%).

O primeiro ponto levantado pelos economistas é que a base de comparação (primeiro trimestre de 2009) é baixa. "A economia mundial estava paralisada por causa da crise", diz Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores. Nos próximos trimestres, a comparação com o respectivo período do ano passado vai gerar números menores.

O setor externo é outro fator colocado como barreira a um crescimento tão forte. "O risco é o Brasil importar demais, o que tornaria a balança comercial deficitária", alerta André Perfeito, economista da Gradual Investimentos. Além disso, salienta, é preciso observar o desenrolar da crise europeia e eventuais impactos na economia brasileira.

No âmbito interno, o descontrole da inflação seria uma consequência natural de uma expansão tão robusta. Segundo Silveira, "crescer acima de 6% gera distorções no mercado monetário". André Perfeito também destaca que a capacidade ociosa da indústria está desaparecendo rapidamente, o que leva o Banco Central a subir os juros e frear o ímpeto da economia.

Fonte: Portal Exame

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