quarta-feira, 26 de maio de 2010

Estudo aponta que estão sobrando vagas e oportunidades de emprego em toda as regiões do país

RIO - Sobram vagas e oportunidades de emprego em várias regiões do Brasil, principalmente para quem tem boa formação. É o que aponta pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral, especializada no desenvolvimento de executivos e negócios, cujo resultado foi divulgado na edição de segunda-feira do Jornal da Globo.

No Nordeste, as maiores oportunidades são para quem sabe fabricar móveis, quer trabalhar em confecções, como operador de telemarketing ou como agente de turismo. E os empregadores chegam a pagar os cursos de qualificação.

Um dos beneficiados foi o pernambucano Gilson Galdino, que trabalhava como despachante. Como a empresa não conseguia contratar motoristas, resolveu prepará-lo para a vaga.

- Foi uma sensação boa, a de ter sido promovido pela empresa - diz Galdino.

De acordo com a pesquisa, o tipo de emprego varia de uma região para outra. Mas estão sobrando vagas em todo o país. No Sudeste, por exemplo, o setor da construção civil é o que mais precisa de trabalhadores: de engenheiros a mestres de obra.

Nessa região do país, quem sabe projetar embalagens, está sendo caçado pelo mercado. Engenheiros, projetistas e desenhistas do setor automotivo também. Faltam ainda profissionais especializados para os setores de alimentação, siderurgia e metalurgia.

- Temos carência no mercado de formação de engenheiro, com foco em ferrovia, com foco em porto, com foco em projeto - revela o gerente geral de recursos humanos da Vale, Renato Ferreira da Silva.

Bons empregos no Centro-Oeste

As melhores oportunidades estão na região Centro-Oeste. O crescimento na área de agronegócios e serviços é enorme. E os salários são mais altos para atrair quem mora no Sul e no Sudeste. Precisa-se de médicos a vendedores de máquinas e equipamentos agrícolas, além de técnicos de manutenção.

Na região Norte, as vagas são para engenheiros ambientais. Mas o profissional que entende de gado, milho e soja também pode encontrar um bom emprego no campo ou em frigoríficos.

O estudo da Dom Cabral aponta que o Sul é a região mais equilibrada em oferta e procura. Mas a demanda por pessoas que entendem de logística e transporte é grande. Também há vagas para engenheiros e técnicos que trabalhem com a produção de equipamentos e máquinas pesadas. Então, quem entende de fabricar carroceria de caminhão, não pode perder essa oportunidade.

Segundo os especialistas, embora estejam sobrando empregos, falta no país um sistema eficiente que localize as pessoas qualificadas.

- Se elas não têm um centro nacional de informações sobre mão de obra, provavelmente vai usar suas relações pessoais ou ela vai, por ouvir falar, procurar o seu emprego, quando isso deveria ser feito de forma muito mais profissional como acontece, por exemplo, nos Estados Unidos e na Europa - afirma Paulo Resende, pesquisador da fundação Dom Cabral.

Procuram-se maquinistas

Também é boa a oferta de emprego no setor ferroviário, onde as empresas estão formando os próprios maquinistas.

A movimentação dos trens dá bem a medida deste setor. Em 2009, a carga levada pelos trilhos de todo o país chegou a 400 milhões de toneladas e deve passar de 450 milhões neste ano. Um crescimento que atrai mais empregos.

Em uma só empresa, são 700 vagas abertas. A atividade, que parecia em baixa, agora atrai jovens para um salário inicial de R$ 1.300, além de benefícios. A indústria ferroviária gerou, no ano passado, 36 mil empregos diretos e indiretos, número que deve chegar a 40 mil este ano.

No entanto, conduzir uma locomotiva não é fácil: é preciso um treinamento intenso, que dura, em média, um ano e meio entre aulas teóricas e práticas. Só então, o maquinista está formado.

Vindo de uma família de ferroviários, o maquinista Luiz Fernando Macedo segue os trilhos da profissão. Além das aulas teóricas, teve 300 horas de instruções com maquinistas experientes. Agora, faz viagens até a cidade de Ponta Grossa, que fica a 100 quilômetros de Curitiba.

- Conduzir um trem de 90 vagões, de 1.300 metros, acho que não tem uma sensação maior que esta - conta Luiz Fernando.

Fonte: O Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente livremente, mas sem abusar do critério da livre escolha de palavras. Assuntos pessoais poderão ser excluídos. Mantenha-se analítico e detenha-se ao aspecto profissional do assunto em pauta.