domingo, 14 de novembro de 2010

Lula termina visita "declarando revolução" no combate ao HIV/Sida

Maputo - O Presidente do Brasil, Lula da Silva, terminou hoje (quarta-feira) uma visita de dois dias a Moçambique, declarando "uma revolução" no combate ao HIV/SIDA, após uma assinatura de cinco acordos.

Numa visita com mais carga simbólica, em sua última a África de Lula da Silva no seu actual cargo, antes da investidura de Dilma Rousseff em Janeiro, o chefe de Estado brasileiro voltou a insistir na dívida do Brasil para com o continente, para justificar a sua aposta em África onde esteve 12 vezes.

"Fico feliz de terminar o meu mandato presidencial de oito anos fazendo uma visita a Moçambique", disse hoje (quarta-feira), acrescentando: "estamos a consolidar definitivamente a relação entre Moçambique e Brasil. O Brasil tem uma forte parceria com Moçambique e tem aqui vários investimentos".

A construção de uma fábrica de medicamentos genéricos para combater a SIDA no continente, "pode ser anunciada como uma revolução", congratulou-se Lula da Silva, para quem a sua geração "está a fazer as reparações que deveriam ter sido feitas noutros momentos".

O primeiro ato público de Lula da Silva na sua terceira visita a Moçambique foi a aula inaugural que marcou o lançamento do Centro de Educação à Distância concebido pela Universidade Aberta do Brasil, Universidade Eduardo Mondlane, e Universidade Pedagógica, estas duas de Moçambique.

Dirigindo-se a dezenas de estudantes e convidados, o chefe de Estado brasileiro criticou a defesa do mercado como panaceia para os problemas da educação, advogando a necessidade de o Estado assumir a tutela do ensino.

O cepticismo do chefe de Estado brasileiro em relação às forças do mercado foi novamente manifestado no discurso oficial da receção oferecida pelo homólogo moçambicano, Armando Guebuza, quando disse ser necessário que o Banco Mundial e o FMI abandonem "os seus dogmas e condicionalidades absurdas".

Antes do jantar de Estado, Lula da Silva disse que o Brasil iria disponibilizar 58 milhões de euros para as obras do aeroporto de Nacala (norte de Moçambique), depois de já ter garantido 23,2 milhões para o programa de ensino à distância da Universidade Aberta, que em poucos anos quer beneficiar 7.290 alunos.

Na mesma altura, os ministros dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Oldemiro Baloi, e do Brasil, Celso Amorim, assinaram cinco acordos de cooperação para as áreas da saúde, educação, agricultura e urbanização.

Em causa está a construção de estruturas de ensino vocacionadas para a mulher e adolescente, a urbanização do bairro de Chamanculo (na capital) ou a instalação de um banco de leite junto do Hospital Central, em Maputo.

Mas mais importante é a fábrica de anti - retrovirais e outros medicamentos, ainda em construção e muito atrasada em relação ao previsto, que Lula da Silva visitou horas antes de partir para a Coreia do Sul. Ali serão produzidos anualmente 226 milhões de unidades para seropositivos e 145 milhões de unidades de outros medicamentos.

Lula da Silva deixou Maputo com a confiança de que as políticas do Brasil para com África, e com Moçambique em particular, são para continuar e se fortalecer com a Presidente eleita, Dilma Rousseff.

Fonte: Angola Press

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