Henrique Gomes Batista
RIO - A Federação de Comércio do Estado do Rio (Fecomércio-RJ) divulgou pesquisa nesta terça-feira indicando que aumentou o número de pessoas que compram produtos piratas. De acordo com a pesquisa, realizada com mil pessoas em 70 cidades do país, 48% da população de mais de 16 anos de idade comprou produtos piratas em 2010, contra 42% das pessoas do mesmo grupo que compravam produtos piratas em 2006.
Com a pesquisa, a Fecomércio acredita que hoje no país, 70,2 milhões de pessoas consomem produtos falsificados, cerca de 14 milhões a mais do que na pesquisa de 2006, quando o número estava em 56,4 milhões.
- A pirataria é uma verdadeira epidemia que se alastra. Com o aumento do poder de consumo da classe C a tendência é que o problema se agrave, caso não haja um grande trabalho de conscientização - afirmou o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz.
Diniz aproveitou o lançamento da pesquisa para anunciar uma nova campanha contra a pirataria no Rio. A campanha terá como mote: 'Quem compra pirataria paga com a vida' e começa a ser veiculada esta semana nas estações de metrô da capital.
CDs ainda lideram as estatísticas
A pesquisa aponta que o CD ainda é o principal produto pirata consumido pela população - 79% das pessoas que compram piratas adquiririam este tipo de produto. Entretanto, o DVD é o que mais cresce na preferência destes consumidores, passando de 35% em 2006 para 77% neste ano. Na sequência, os produtos mais consumidos são óculos (com 7%); calçados, bolsas ou tênis (7%); roupas (6%); relógios (5%) e cigarros e canetas (4%).
Segundo João Gomes, economista-chefe da Fecomércio-RJ, o problema é grave porque está se reduzindo no País a percepção dos aspectos negativos da pirataria. Em 2010, apenas 56% da população indicou que a pirataria causa desemprego, contra 64% em 2006:
- A ligação entre a pirataria e o crime organizado, que era apontado por 70% das pessoas há quatro anos, caiu para 60% este ano.
Secretário executivo do Ministério da Justiça, Raphael Tomaz Favetto afirmou que a sociedade precisa se conscientizar de que a pirataria não é uma atividade socialmente aceitável:
- Precisamos demonstrar que a pirataria é ligada a um crime organizado. A visão de que o vendedor de produtos piratas é um 'Zé Coitado', que tem mulher grávida e precisa disso pra viver, é uma mentira. Temos que quebrar esta visão romântica. A pirataria é ligada ao crime organizado. Alguns com ramificações transnacionais e com trabalho escravo - disse.
Fonte: O Globo
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