Se depender do volume de recursos disponíveis, não faltará oportunidade para se empreender no Rio Grande do Norte. A maioria das instituições bancárias disponibiliza recursos destinados aos pequenos e micro negócios. Somente o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), considerado um dos maiores incentivadores da livre iniciativa na região e o principal agente financeiro do governo federal no NE, já liberou R$ 145,8 milhões para pequenos empreendedores potiguares. E o melhor: ainda existe dinheiro à disposição dos empresários. O banco espera fechar o ano com R$ 160 milhões liberados para o setor, que responde por 24% das contratações globais do BNB no Estado.
Crédito é um dos temas do seminário Motores do Desenvolvimento do RN - “Empreendedorismo”. O evento acontece no dia 7 de dezembro, no auditório da Casa da Indústria, uma promoção da TRIBUNA DO NORTE, RG Salamanca Investimentos, sistema Fecomercio/RN e sistema Fiern, tendo o patrocínio do Governo do RN, Assembléia Legislativa, Sebrae/RN, Nutriday e Petrobras. A abertura do seminário terá palestra do ministro da Previdência Social, José Pimentel, sobre a Lei Geral, o Empreendedor Individual e as Micro e Pequenas Empresas. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelos telefones 4006-6120 ou 4006-6121. A programação completa do seminário está no hotsite www.tribunadonorte.com.br/motoresrn.
O valor financiado às micro e pequenas empresas representa um crescimento de 27,6% em 2009 ante ao ano anterior. Mas, relevando os cálculos matemáticos, esse dado revela que 9.022 pessoas que possuem visão empreendedora puderam viabilizar o seu negócio graças ao financiamento bancário. Outra boa notícia é que os informais também podem obter recursos junto à instituição. Os microempreendedores não regularizados são atendidos pelo programa de microcrédito produtivo urbano orientado, que chegou a liberar recursos da ordem de R$ 68 milhões em mais de 55 mil operações cujo valor médio foi de R$ 1,2 mil. A previsão é encerrar 2009 com contratações superiores a R$ 75 milhões, um novo recorde da atuação do programa no RN.
O programa desempenha um papel social de extrema relevância, facilitando o acesso ao crédito a milhares de empreendedores que desenvolvem atividades relacionadas à produção, comercialização de bens e à prestação de serviços. Associados ao crédito, são oferecidos aos empreendedores acompanhamento e orientação para melhor aplicação do recurso, a fim de integrá-los de maneira competitiva ao mercado. Para exemplificar o sucesso do programa, basta dizer que o índice de adimplência no Rio Grande do Norte é de 99,5%.
No geral, existem perfis distintos de empreendedores que recorrem ao BNB em busca de crédito, mas a maior demanda vem dos setores de comércio e serviço. Gente que resolveu montar um salão de beleza ou mesmo passou a vender roupas e cosméticos.
“Como o BNB tem linhas de crédito tanto para os empreendedores formais quanto informais, em muitos casos, percebemos que a falta de informações atualizadas sobre nossas as linhas e processo de crédito podem ser gargalos para o empresário. Por isso, procuramos trabalhar em parceria com as entidades representativas empresarias do estado, a fim de disseminar nossa forma de atuação e as condições diferenciadas de nossas linhas de crédito”, disse José Maria Vilar, superintendente do BNB no RN.
O banco mantém convênio com as câmaras de dirigentes lojistas de vários municípios, dando condições operacionais diferenciadas no financiamento de capital de giro para formação e renovação de estoques para os principais períodos de vendas do ano aos associados da entidade. “Nós últimos anos, avançamos do ponto de vista operacional, com a simplificação do seu processo de crédito, beneficiando especialmente o mini, pequeno e médio empreendedor”, confirmou o superintendente.
Desde 2005, quando o BNB desenvolveu uma estratégia específica para atendimento às MPEs, as contratações no Rio Grande do Norte passaram de R$ 27,1 milhões para R$ 145,8 milhões até outubro deste ano, crescendo 438%. Segundo José Maria Vilar, as contratações estão distribuídas em todas as regiões do estado, representando uma interiorização do crédito e o fortalecimento das MPEs além da capital.
Regiões, como Seridó e Oeste, têm absorvido a maior fatia dos recursos destinados aos micro e pequenos empreendimentos. “Estamos expandindo de forma significativa o crédito para as micro e pequenas empresas e queremos ser reconhecidos como o banco das MPEs no Nordeste. Temos os melhores produtos e uma equipe preparada para compreender as necessidades desse segmento empresarial”.
Recursos para vários negócios
Com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), o Banco do Nordeste dispõe de linhas de crédito para financiamento para projetos orçados em até R$ 50 mil. O dinheiro pode ser usado para modernização, expansão, relocalização do empreendimento dos segmentos agroindústria, aqüicultura, comércio, indústria, serviços, turismo e tecnologia. Na maioria dos casos, as micro e pequenas conseguem financiar valores equivalentes a 100% do faturamento anual.
Na agroindústria, os prazos são determinados conforme a capacidade de pagamento do projeto e observados os limites de vida útil dos bens financiáveis. Para os investimentos fixos e mistos, o prazo é de 12 anos com carência de quatro anos. Se o dinheiro for para capital de giro, o reembolso ocorre no prazo de até oito meses. No caso de a empresa ser de médio porte, a taxa de juros fica em 9,5%.
Empresários do comércio varejista ou atacadista também têm crédito disponível, mas são exigidas como garantia hipoteca, penhor, alienação fundiária, fiança ou aval. Para micro (faturamento de até R$ 240 mil por ano) e pequenos negócios (faturamento de R$ 240 mil e 2,4 milhões), os juros são de 6,75% e 8,25% ao ano respectivamente.
Já a linha Cresce Nordeste também é direcionada a empresas prestadoras de serviços, educação, limpeza urbana e esgoto, saúde e serviços sociais, serviços de alimentação, serviços de informática, biotecnologia e eletroeletrônica transportes. Os prazos de pagamento são até 12 anos, inclusive até quatro anos de carência.
Para o turismo, são liberados recursos para construção, ampliação e reforma de benfeitorias e instalações, incluindo o material; veículos de transporte novos, integrados ao empreendimento e de uso exclusivo do turismo; instalações elétricas e hidráulicas; móveis e utensílios; capacitação de mão-de-obra; projetos, assessoria empresarial e técnica e informatização. Mas, a empresa precisar estar cadastrada no Ministério do Turismo. As taxas de juros são de 6,75% ao ano para microempresa e de 8,25% ao ano para pequena. Hotéis têm prazos de até 12 anos, inclusive quatro de carência, enquanto, para os meios de transportes, o tempo cai para até cinco anos e seis meses de carência.
Na aquicultura, a linha de financiamento do Banco do Nordeste favorece as instalações de infraestrutura pesqueira, compra e reforma de embarcações, compra de máquinas, equipamentos e instalações de pesca, itens de custeio, como gelo, óleo, graxas, iscas, rancho e outros gastos necessários à atividade de pesca. Os juros ficam entre 5% e 8,5% ao ano, dependendo do tipo de produtor, cooperativa e associação.
Hipoteca é uma alternativa atraente para o empreendedor
Além das linhas de crédito dos bancos, também existem opções alternativas para se conseguir os recursos necessários à abertura ou expansão dos negócios. As instituições hipotecárias são uma opção, pois estão voltadas, basicamente, para os financiamentos com foco na aquisição de bens ou e até para reforço de capital de giro das empresas. Se as lista de exigências impostas pelos bancos ainda podem ser consideradas empecilhos para aos empreendedores que precisam de crédito, uma solução pode ser o home equity – pelo qual o imóvel pode ser dado como garantia do empréstimo.
No Rio Grande do Norte, uma das primeiras instituições financeiras a utilizar o sistema é a Companhia Hipotecária Brasileira (CHB), que desde 2005 financia entre R$ 30 mil a R$ 500 mil. A taxa de juros é de 1.1% ao mês mais o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGPM). As operações de contratação são realizadas por meio da alienação fiduciária de imóveis. “Por essa razão, conseguimos oferecer taxas tão interessantes para o mercado”, afirma o Presidente da Companhia, Álvaro Barreto.
Para se obter o financiamento, é feita uma análise de renda, seguida da avaliação do imóvel e de toda a documentação. Também é realizada uma análise jurídica e, depois, a proposta é passada ao comitê de crédito. Vencidas essas etapas, é emitido o registro de contrato no cartório, e assim o dinheiro é liberado. Parece um processo complicado, mas não é. Tanto que, apesar de diversificada, a carteira de clientes da CHB é composta, em sua maioria, de pequenos e médios empresários que precisam alavancar seus negócios, além de pessoas físicas.
Fonte: Tribuna do Norte
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