quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Telefónica pede à CVM informações de apuração da compra da GVT

SÃO PAULO - A Telefónica informou nesta segunda-feira que cobrou da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informações sobre o andamento das investigações da autarquia sobre a compra da GVT pelo grupo francês Vivendi. Em comunicado enviado nesta segunda-feira, o grupo espanhol informou que sua unidade no Brasil, Telesp, enviou na sexta-feira carta à CVM pedindo "informações à autarquia sobre os resultados já alcançados e as providências adotadas a partir das investigações iniciadas há cerca de um mês, com o objetivo de apurar eventuais irregularidades envolvendo a transação".


Em comunicado á imprensa, a CVM, no entanto, afirmou que as investigações relativas à operação de aquisição do controle da GVT Holding S.A pela Vivendi S.A. prosseguem sob sigilo legal. Ainda segundo a nota da CVM, até o presente momento, nenhuma pessoa externa aos quadros da autarquia obteve acesso aos autos do referido processo ou vem acompanhando a apuração das investigações.

A telefónica lembra que em 8 de outubro lançou oferta pública para a aquisição de até 100% das ações da GVT. A proposta estava condicionada à aceitação por 51% dos acionistas da GVT.

Em 13 de novembro, a Vivendi divulgou que havia assegurado 57,5 por cento do capital da GVT, ao ter garantido a compra de uma parcela das ações e ter opção irrevogável para adquirir parte do capital da empresa.

"O anúncio inviabilizou a oferta pública proposta pela Telesp, cujo leilão seria realizado em 19 de novembro", conforme o comunicado.

Dias após o anúncio, a CVM afirmou que abriu uma investigação para avaliar em que condições a compra do controle da GVT pela Vivendi havia se dado.

""Na carta enviada à CVM, a Telesp lembra que causou estranheza o fato de a Vivendi ter adquirido, aparentemente em apenas um dia (13 de novembro), volume relevante de ações e opções correspondentes a 27,6 por cento das ações e/ou direitos de aquisição de ações da GVT", afirmou a operadora em comunicado.

"As manifestações posteriores da Vivendi, procurando explicar a operação, deixaram todo o mercado perplexo, fomentando dúvidas e suspeitas sobre os fatos efetivamente ocorridos", acrescentou a empresa.

A Telefónica disse que fez uma "série de questões à CVM". Entre elas, se a autarquia concluiu ou tem razões para suspeitar de que houve, ao menos, omissão de informação relevante por parte dos envolvidos na operação e se, em razão disso, a CVM solicitou ao Ministério Público a adoção de medidas judiciais para evitar prejuízos ao mercado de ações brasileiro.

Mas parece que não será tão fácil a Telefónica conseguir acesso ás informações do processo. A nota da CVM também ressaltou que não divulga informações sobre investigações em andamento, salvo nas hipóteses previstas em lei, se assim o exigir o interesse público.

Fonte: O Globo

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