quarta-feira, 26 de maio de 2010

Frigorífico fecha 3 unidades

Frialto tem capacidade para abater 2,3 mil cabeças por dia; outra planta está em construção

Dívidas do grupo com os pecuaristas mato-grossenses estão estimadas em cerca de R$ 30 milhões

Laís Costa Marques
Especial para A Gazeta

O frigorífico Frialto suspendeu temporariamente as atividades nas 3 unidades de abate e desossa em operação em Mato Grosso. A paralisação ocorre desde sexta-feira (21) e atinge outras 3 plantas em outros Estados. Apesar de não se pronunciarem oficialmente, fontes ligadas à diretoria do grupo informaram que o frigorífico solicitou o prazo de uma semana para decidir o futuro da empresa, que acumula uma dívida de cerca R$ 30 milhões junto aos pecuaristas mato-grossenses. Uma quarta planta está em construção no Estado.

Entre as alternativas para solucionar os problemas da empresa estaria a venda, a contratação de uma linha de crédito ou o pedido de recuperação judicial para criar a oportunidade de negociar as dívidas. O gerente da unidade de Matupá, Natalino Sanchez Júnior, afirma que os funcionários foram informados de que a empresa paralisaria as atividades por 2 dias para fazer um balanço geral de estoque, embalagens e contabilidade. "Nos passaram que os frigoríficos estariam fechados até terça-feira (hoje) para levantar todo o estoque e contas das unidades".

O grupo foi procurado nos telefones dos diretores Paulo Bellincanta e Milton Bellincanta, que não atenderam, nem retornaram às ligações até o fechamento desta edição. O superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, lamenta a situação da empresa e diz que vai aguardar o prazo pedido pelos diretores para uma definição sobre o futuro da empresa. Segundo Vacari, o fechamento ou a venda para um grande grupo seria uma perda para a cadeia produtiva. "Todos os frigoríficos que receberam financiamento do Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fecharam suas unidades ou tiveram que pedir recuperação judicial. O governo precisa rever os critérios e olhar para as indústrias de pequeno e médio portes", avalia Vacari. Caso o Marfrig compre o Frialto, como vem sendo comentado nos bastidores, juntando com o JBS/Friboi, deteria 70% da capacidade de abate do Estado, o que comprometeria a lei de mercado e prejudicaria os preços pagos aos produtores. Das 39 plantas frigoríficas instaladas no Estado, 28 estão operando e 13 delas pertencentes às 2 empresas. O presidente do Sindicato do Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo), Luiz Freitas, também lamenta a situação e o fato de o governo não abrir os olhos para a situação dos pequenos e médios empresários. Além das 8 unidades de abate e processamento de carne, o Frialto possui 2 unidades de confinamento, uma Sinop e outra em Matupá com capacidade de 40 mil cabeças/ano; 3 transportadoras com 100 veículos e uma usina de biodiesel em Sinop. A capacidade de abate da Frialto é de 4,040 mil cabeças por dia, sendo 57,6% (2,3 mil) em Mato Grosso. A exportação é focada em 20 países, entre eles Estados Unidos, Emirados Árabes e União Europeia. (Com Agência Estado)

Fonte: Gazeta Digital

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