Agências Internacionais
BANGCOC - Após a maior ofensiva das forças de segurança da Tailândia desde o início dos protestos que já duram mais de dois meses no país, líderes da oposição anunciaram, nesta quarta-feira, o fim das manifestações e se entregaram, para evitar mais mortes. A rendição, no entanto, não pôs fim à violência. Autoridades anunciaram que as operações em Bangcoc, onde se concentravam os Camisas Vermelhas, continuariam ao longo da noite (horário local) e o primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, que era alvo dos protestos, decretou toque de recolher na capital entre 20h desta quarta e 6h de quinta-feira. A medida, adotada na capital pela primeira vez desde 1992, foi estendida para 21 das 76 províncias do país. Pelo menos seis pessoas morreram nos novos confrontos, entre elas um jornalista italiano.
- Peço desculpas a todos, mas não quero ver mais perdas. Eu estou arrasado e nós vamos nos entregar - anunciou Jatuporn Prompan, um dos líderes dos Camisas Vermelhas.
Os confrontos deixaram mais de 40 feridos, incluindo ao menos dois jornalistas. Na ofensiva lançada pela manhã (horário local), tropas tailandesas invadiram a área ocupada há mais de dois meses pelos opositores do governo. Após os líderes dos Camisas Vermelhas se renderem, episódios de violência foram registrados em outras partes da capital e em ao menos duas províncias do Nordeste da Tailândia. Vários prédios foram incendiados, incluindo a bolsa de valores.
Diante do caos provocado pelas reações dos manifestantes, o Banco Central da Tailândia decretou feriado bancário no país na quinta e na sexta-feira, por razões de segurança. Todas as instituições financeiras serão fechadas. O governo censurou as estações de TV, ordenando que só transmitam programas autorizados previamente.
No anúncio do toque de recolher transmitido pela televisão, o primeiro-ministro Abhistit Vejjaajiva disse que ninguém na capital está permitido a sair de suas casas durante o período mencionado a menos que tenha permissão das autoridades.
Diplomatas, inclusive do Brasil, estão sem acesso a embaixadas
Representantes de várias embaixadas, inclusive a brasileira, estão sem acesso aos prédios das missões diplomáticas . O Itamaraty informou, em nota, que os diplomatas brasileiros têm acompanhado a situação e "mantido permanente contato" com a comunidade brasileira na cidade. Dois funcionários da embaixada brasileira tiveram que deixar suas casas por questão de segurança.
Soldados e manifestantes entraram em confronto na noite de terça-feira (quarta-feira horário local) após o Exército tailandês cercar o acampamento de manifestantes no centro de Bangcoc numa tentativa de forçar os Camisas Vermelhas a deixar o local. Manifestantes atearam fogo nos pneus e bambus que formavam a barreirra, e as tropas romperam a barricada que isolava a área. Antes de a confusão começar, soldados pediram, através de alto-falantes, que os manifestantes deixassem o local e as áreas adjacentes imediatamente.
A capital tailandesa mergulhou no caos na última semana, quando pelo menos 39 pessoas morreram e 300 ficaram feridas. A escalada militar aconteceu um dia depois do colapso de uma proposta de negociação para acabar com os cinco dias de protestos de rua.
Os manifestantes acusam o premier Abhisit Vejjajiva de não ter um mandato popular após chegar ao cargo em uma polêmica eleição parlamentar em 2008 com o apoio dos militares, e exigem eleições imediatas.
Fonte: O Globo
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente livremente, mas sem abusar do critério da livre escolha de palavras. Assuntos pessoais poderão ser excluídos. Mantenha-se analítico e detenha-se ao aspecto profissional do assunto em pauta.