terça-feira, 23 de novembro de 2010

Petrobras prevê concurso para o ano que vem e 6 mil vagas até 2013

Cargos serão de nível médio e superior, com salários de até R$ 5,7 mil.

Maior demanda é para engenheiros, geólogos, geofísicos e técnicos.

Marta Cavallini

Do G1, em São Paulo

A Petrobras abrirá concurso público no ano que vem, afirma o gerente de gestão de efetivo, Lairton Correa. De acordo com ele, a previsão é de que aproximadamente 6 mil novos empregados sejam contratados até 2013 por meio de concursos. A empresa tem atualmente cerca de 58 mil funcionários – em 2013 projeta chegar a 64 mil.

Os cargos na estatal são de nível médio e superior (veja a lista completa ao fim da reportagem). Os salários variam de R$ 1.647,19 a R$ 5.685,07. Além do salário-base, a empresa oferece participação nos lucros, previdência complementar, benefícios educacionais para filhos de empregados (da creche ao ensino médio) e plano de saúde (médico, odontológico, psicoterápico e benefício farmácia).

“O RH [departamento de recursos humanos] trabalha estreitamente com o planejamento estratégico da Petrobras, vê o efetivo existente e o efetivo necessário. À medida que a necessidade de cada área vai sendo atendida, novos processos seletivos são abertos”, explica Correa.

Sobre o concurso de 2011, o gerente não informou em qual mês deve ser lançado o edital e nem o número de vagas. “Neste momento o RH está consolidando as necessidades de cada área, cargo a cargo, localidade por localidade, levando em conta cada unidade da Petrobras. Aí faz novo processo seletivo, move empregados experientes para as atividades novas, e supre [as vagas que ficaram abertas] com o pessoal que está chegando”.

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De acordo com Correa, as novas contratações têm a ver com as novas descobertas do pré-sal, reposição de pessoas que saem da empresa e abertura de novas unidades, principalmente refinarias.

Os cargos com maior demanda de vagas atualmente são engenheiros (equipamentos, petróleo, processamento e naval), geólogos, geofísicos (todos de nível superior), técnicos de manutenção e de operação (que exigem formações técnicas). “O principal foco é na linha de engenharia e de técnico de nível médio”, diz.

Pesquisa sobre a vida do candidato

Questionado sobre a prática da Petrobras de fazer o levantamento sociofuncional dos aprovados nos concursos, Correa disse que “o objetivo é ter um quadro de empregados mais idôneo possível dentro da companhia" e que “a intenção não é eliminar candidatos”.

Em setembro passado, jornais divulgaram que um inquérito da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo concluiu que policiais civis da Divisão de Capturas, do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), teriam quebrado ilegalmente o sigilo funcional de diversas pessoas, que tiveram os dados vasculhados no período de dez anos, de 2000 a 2009, a pedido da Petrobras. Essas pessoas seriam candidatas a vaga na estatal ou em empresas terceirizadas contratadas por ela. Em nota, a estatal negou ter solicitado a quebra de sigilo.

O gerente afirma que a avaliação sociofuncional está explicitada no edital dos concursos e é feita para os que foram aprovados nas provas de conhecimentos gerais e específicos. “É uma ficha que o candidato preenche quando vai comprovar os requisitos exigidos no edital quando o processo admissional está em andamento. A empresa faz uma investigação nos órgãos oficias do governo existentes no país sobre a pessoa nas questões judiciais e no que há de oficial no mercado, como o Serasa. Não tem investigador que vai atrás de candidatos, são dados coletados que já existem no mercado”, explica.

Segundo ele, a companhia verifica se o candidato está envolvido em uma ação judicial ou em algum processo de julgamento. “É para ver o perfil das pessoas que estão vindo para a nossa organização, ajuda no planejamento e nos processos. E podemos ter uma situação inadequada como já aconteceu de identificar um foragido da Justiça quando você vai fazer uma análise dos processos dessas pessoas. É para ter um quadro de empregados dentro da companhia mais idôneo possível, a intenção não é eliminar candidatos, é identificar ações que podem ser trabalhadas, evidentemente que, se você tem uma situação em que precisa eliminar, ele é eliminado. Isso está previsto no edital”, diz o gerente.

Tecnólogos não são aceitos

Segundo Correa, não está nos planos da companhia aceitar os tecnólogos, que têm diploma de curso superior, mas não título de bacharel, já que a duração dos cursos é menor, de dois a três anos. “Quando o plano de cargos da Petrobras foi desenvolvido, com consultas a todas as áreas e atividades, o requisito tecnólogo não apareceu em nenhum dos estudos que foram feitos”, afirma. “A exigência é de formação plena, aquele bacharelado que dá à pessoa a condição de um conhecimento maior. Se com a formação plena nós precisamos complementar a educação dentro da companhia, imagina se fosse para um tecnólogo, esse tempo de formação seria muito maior”, afirma.

A Petrobras diz que complementa a formação dos profissionais porque o mercado não oferece a mão-de-obra especializada que a empresa precisa. No caso dos cargos de nível médio e técnico, os profissionais fazem um curso na própria unidade onde irão trabalhar.

Os que irão atuar em cargos de nível superior fazem a universidade que fica dentro da Petrobras. De acordo com Correa, há cerca de 1,5 mil alunos/dia dentro da universidade. "Não é só para formação e complementação, mas para continuidade de educação dentro das áreas", diz. A duração dos cursos varia de dois a 12 meses.

Terceirizados

O número de novas vagas projetado pela Petrobras não leva em conta a possível substituição de terceirizados na empresa. Em agosto, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou que estatais como a Petrobras trocassem, no prazo de cinco anos, os servidores terceirizados por profissionais contratados por meio de concurso público.

O TCU informou, na época, que na companhia havia 144 mil terceirizados e que 47 mil (33%) já trabalhavam para a estatal sem ter realizado concurso há mais de dois anos. Correa disse que precisaria fazer uma pesquisa para saber o número exato de terceirizados que prestam serviços para a estatal.

Principais áreas

A mão de obra que entra por concurso é absorvida em quatro grandes áreas da empresa, segundo Correa. A parte de exploração e produção, que contempla as operações das plataformas e nos campos de petróleo, emprega técnicos que trabalham com perfuração de poços e fazem manutenção de equipamentos, por exemplo. No nível superior são contratados engenheiros de petróleo, geólogos, geofísicos e engenheiros de equipamento.

Na área de refinaria são contratados operadores e técnicos de manutenção e engenheiros de processamento e equipamento.

Na área de engenharia (construções e obras em geral) são empregados técnicos de manutenção e engenheiros de equipamentos, por exemplo. De acordo com Correa, também vem aumentando a demanda por funcionários nas áreas de gás e energia.

Fonte: G1

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